A GRANDE  REVELAÇÃO

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{22 de outubro de 2026}

Incrivelmente acho que entendo.

Essa pequena sala com paredes meio cinzentas e se houver uma janela, é bem pequena, dessas com vitrô, como na minha cozinha.

Estou sentada ou agachada no chão, não de pé, e o que faço é dirigir ,acho que não uma gravação, tem mais jeito de ensaio presencial.

Na minha frente a esquerda está, também agachada, uma atriz muito jovem, acho que nem chega a 20 anos, com um cabelo ondulado meio para o ruivo, um ondulado que eu acho bonito, tem o ondulado que acho feio, ou talvez se o ondulado for ruivo e não preto, fique mais bonito.

E um rosto de ninfa. Não exatamente belo, mas tem algo no rosto dela que remete à aquelas fada daquele livro ilustrado que eu tinha a amava, a menina tem algo nas feições que de cara já remete a algo não humano.

E. nisso tem um link com o rapaz de feições esopremidas que gostava de mim no sonho da menina inglêsa.

VOCÊ NÃO CUIDA BEM DELES

Seria um rosto com essa impressão de "muita pele", e aqui acho que entendo o que causa isso. É quando o rosto tem olhos e boca, as partes que não são pele. pequenos, então a pela prevalece, e inclusive, eu sou assim, e a lésbica diretora do Zapping Zone me filmou e disse, não de maneira depreciativa, que "minha pele estourava no vídeo, tinha muito brilho". Disse que a Nicky tinha uma boca bonita, o que ela tinha mesmo, e que minha pele estourava no vídeo.

Ela está agachada, de lado para mim, virada no sentido contrário da outra atriz, que seria a Camila que fez a Marlene do Tráfego.

E a cena, na primeira passada seria assim. Aqui fica meio difícil descrever.

A Camila deveria chegar nessa menina, a menina-ninfa, com uma fala bem longa, e aqui começam as coisas nas quais vejo sentido, sobre negócios que ela havia empreitado. Seriam todos pequenos negócios, venda de cachorro-quente, coisas desse nível. A fala não configurava nada além de ser uma lista dos tais negócios, não havia nada sobre se os negócios deram certo ou não, mas havia, isso sim, uma intenção de apelo na fala. A personagem da Camila, que não seria a Marlene do Tráfego, mas como ela, uma mulher de taier, numa energia mais para o Yang, uma vez que tudo nela girava ao redor dos tais “negócios”, e a resposta da menina-ninfa essa sim ficou embolada na memória.

No que começa a cena, a Camila dá sua longa fala, e a menina-ninfa começa a dar a réplica, curiosamente quase que de costas para a Camila, virando bem o pescoço na direção dela, mas naquela posição, mesmo virando ao máximo, o rosto dela nem para mim ficava de frente, o que vejo é um meio perfil, e eu reparo que ela faz expressões meio exageradas e um pouco forçadas para responder, e agora, reparando bem, ela tem um ar meio bravo. Mas isso faria parte do personagem dela. Mas a expressões forçadas não. A menina é boa atriz, aliás, esqueci de mencionar que ela lembra muito a Ariadne.

Como é que é possível eu lembrar o nome dela? A Ariadne, esse belíssimo nome, era a atriz mais talentosa daquele grupo que eu simplesmente destrui com meu Plutão descontrolado. Tinha a Ariadne, que parecia fisicamente super essa menina, e que conseguia chorar facilmente e eu considerava aquilo o ápice de ser boa atriz, mas ela era mesmo, a Patão, que ficou minha amiga e também era boa, uma outra menina, que era a mais bonita e eu, que fiquei incomodada com o texto, tomei conta ali da produção e acabei com tudo, mas talvez tenha sido para o bem, assim espero, Deus me perdoe.

Então, como disse, a menina-ninfa era boa atriz e até me espanto dessas expressões forçadas. Dou um tempo para ver se seriam algo que passa. Mas não passa. Então delicadamente digo:

– Olha, não precisa forçar expressões.

E acrescento:

– Você é naturalmente expressiva. Não precisa forçar nada.

Isso fica, e é honesto, uma correção que é um elogio. A menina-ninfa então repete sua fala sem essas expressões exageradas.

E a fala dela seria uma longa, longuíssima e tortuosa história a respeito de não sei o que lá que ela teria feito, talvez, mas não garanto, algum negócio. E aí eu tenho que explicar para a Camila o sentido da fala com a qual ela deveria dar sequência ao diálogo e digo mais ou menos assim:

– Então, ela (a personagem da menina-ninfa}, te contou que tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal…

E nisso percebo que essa história que a menina-ninfa teria contado, a qual eu não terminava nunca de descrever, não era um bom texto literário.

Quando a explicação do texto fica nisso de tal e tal e tal e tal e nunca completa a explicação, não é um bom texto. Então digo para a Camila:

– Vou mudar essa parte do texto. De qualquer forma, a relação entre vocês duas é tal e você deve falar de tal maneira.

Pronto. Quando um tal só basta para explicar, é uma parte do texto que está boa. Tenho que explicar para os atores o sentido da interação e das falas, pois é tudo muito fora do universo pessoal deles. Isso rola direto no Até Agora Nada, as pessoas não entendem o sentido das cenas e das reações dos personagens.

E nisso se encerra essa parte, com eu tendo tomado consciência de que a definição da personagem da menina-ninfa não estava boa. Tenho muitos defeitos mas não tenho problema nenhum em perceber quando um texto não está bom. Fico com aquilo na cabeça, mas não me forço a resolver o problema. Passo para a cena seguinte.

A cena seguinte, e ainda seria um ensaio, se passa num laboratório científico.

Tem ali as mesas com as coisas de experimentos científicos em cima, alguns atores vestidos de cientistas, acho que a Camila também, e…

Sobre uma das bancadas há uma travessa, como chamar, parece uma forma de assar coisas, retangular, com bordas levantadas e dentro dessa travessa, mas seria algo de ciência, não de cozinha, há um bicho que não existe na vida acordada, mas não chego a pensar que talvez fosse de outro planet.

Seria um bicho parecendo uma parte mole de ostra, só que de mais de um palmo de dimensões, mais rosado que uma ostra, e se mexendo com fúria.

Fúria. O bicho parece um pequeno ser endemoninhado e se contorce ali e emite uns ruídos com cara de barulhos demoníacos.

Está contido na tal travessa e não apresenta risco de sair correndo pela sala, como no filme Alien, mas dá medo, é perigoso, os cientistas estão todos recuados, sem saber como lidar com ele, a situação está estabilizada, como disse o bicho não tem como escapar do container, mas não está resolvida.

E nisso, sem explicação racional nenhuma, não é uma cena, não é uma improvisação, não é uma brincadeira, simplesmente rola, entra a menina-ninfa, cada vez com mais ar de ninfa, e acho que está até nua, mas isso teria a ver com isso de ser ninfa, e andando etereamente, se dirige até o container onde está o bicho, pega o bicho vivo e… come o bicho.

E essa cena revela que a menina não seria humana. Seria um ser de outro planeta com poderes supra-humanos, pois o bicho teria matado um ser humano, e a menina simplesmente o comeu.

E eu tenho essa idéia literária.

– É essa a história do filme, eu penso. Existe essa menina, uma simples menina, aparentemente nada de mais, nem cientista ela era, que durante o filme vai se revelar como sendo um ser de outro planeta com poderes supra-humanos.

Aqui vem ao caso o fato dessa cena reconstituir a cena do filme da menina que virava sereia, com certeza um dos filmes que mais me impactou a vida inteira, nem tem como explicar o que eu senti, dentro de mim algo gritava “é isso que eu quero”, mesmo sabendo que não tem como eu virar uma sereia, sereias não existem.

Mas no filme, a menina comia o peixe morto e era algo repugnante. E aqui, o ato da menina não provocava repulsa, pelo contrário, os cientistas olhavam para ela admirados e até agradecidos, pois o bicho, mesmo contido, era uma ameaça e a menina acaba com a ameaça.

Que venha essa revelação.

A GRANDE  REVELAÇÃO

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